Violência com grupos narcotraficantes no México e ofensiva de Estados Unidos e Israel contra Irã ampliam apreensão para Mundial de 2026
O campeonato de futebol mais importante do mundo começa em exatos 100 dias. A Copa do Mundo de 2026 larga em 11 de junho, no México, palco do jogo inaugural entre os anfitriões e a África do Sul, no lendário Estádio Azteca.
Marcada por ineditismos, a primeira Copa disputada em três sedes – Canadá, EUA e México – e com 48 seleções e 104 partidas, deve iniciar com problemas geopolíticos. A 100 dias para o torneio, os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevaram a tensão e lançaram sombra sobre o Mundial.A ofensiva americana contrasta com a união que diz promover a Fifa e aumenta as incertezas sobre a instabilidade geopolítica global às vésperas do torneio.
A seleção do Irã está classificada para o Mundial, mas sua participação passou a ser incerta, conforme sinalizou Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol. “É improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas são os dirigentes do esporte que devem decidir sobre isso”, disse o dirigente.

Desde que retornou à Casa Branca, Trump passou a liderar retórica agressiva contra imigrantes e promoveu divisões políticas e tensões com aliados.
País que receberá a maior parte dos jogos da Copa, com 11 das 16 cidades-sede, os Estados Unidos, sob Trump, lançou uma guerra tarifária contra o mundo inteiro, incluindo seus vizinhos; afirmou que o Canadá deveria se tornar o 51º estado dos EUA e ameaçou intervir militarmente caso o México não intensificasse a luta contra o narcotráfico.
Ivan Martinho, professor de Marketing Esportivo da ESPM, aponta que, historicamente, o esporte – e o futebol está incluso nessa lógica – tenta se manter como território neutro em conflitos dessa natureza, mas, na prática, ele é atravessado pela política internacional.
“Dependendo da evolução do cenário, podem surgir pressões por sanções, restrições de viagem ou manifestações simbólicas, o que amplia o debate para além do campo e coloca a governança esportiva diante de decisões sensíveis”, analisa.
Fonte: Estadão