O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, voltou a acionar o Supremo Tribunal Federal para tentar reorganizar o pagamento de valores ainda pendentes de seu acordo de colaboração premiada firmado anos atrás.
A solicitação foi encaminhada ao ministro Dias Toffoli, após uma decisão anterior que determinava a quitação total da dívida em um curto prazo. Sem conseguir cumprir essa exigência, a defesa agora propõe um novo formato de pagamento.
Pelo acordo firmado em 2017, Silval se comprometeu a devolver mais de R$ 70 milhões aos cofres públicos estaduais. Uma parte significativa já foi quitada por meio da entrega de bens, principalmente imóveis, mas ainda resta um saldo de R$ 23,4 milhões que deveria ter sido pago em dinheiro.
Esse valor estava previsto para ser dividido em parcelas ao longo dos anos, mas os pagamentos não foram realizados conforme o cronograma inicial. Diante disso, o ex-governador alega dificuldades financeiras para arcar com o montante de uma só vez e pede que o parcelamento original seja retomado.
Na argumentação apresentada ao STF, Silval sustenta que tentou resolver a pendência oferecendo novos imóveis, acreditando que essa alternativa poderia ser aceita pelas autoridades. Segundo ele, houve sinalizações nesse sentido durante o processo, o que gerou expectativa de regularização dessa forma.
Agora, a defesa pede que o acordo volte ao modelo inicial, com pagamento em parcelas anuais, como forma de garantir a quitação completa da dívida.
A colaboração premiada firmada por Silval trouxe à tona um amplo esquema de irregularidades envolvendo a política estadual, incluindo denúncias de repasses ilegais a parlamentares em troca de apoio dentro da Assembleia Legislativa.
Condenado por crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-governador cumpriu parte da pena em regime fechado e depois em prisão domiciliar, progredindo posteriormente para o regime semiaberto.