A disparada do preço do ouro no mercado internacional com a guerra no Oriente Médio despertou interesse dos garimpeiros ilegais na Terra Indígena de Sararé (MT), o que mantém as forças de segurança em alerta redobrado.
Um áudio obtido pelo g1 mostra essa euforia dos garimpeiros (veja transcrição abaixo).
“O negócio é celebrar. Ficar quietinho. Deixa os homens fazerem o serviço deles e ir embora. Negócio é ficar de boa, que o ouro está bom de preço. [Ele repete] O ouro está bom de preço! Quem aproveitou, aproveitou, quem não aproveitou espera a poeira abaixar”, diz.
A região é uma das mais devastadas na Amazônia Legal. Nos últimos anos, o território foi dominado pela organização criminosa Comando Vermelho, segundo investigação da Polícia Civil.
O Exército junto com outras forças de segurança atuam na região desde quarta-feira (25) para expulsar os invasores, com mais de 51 suspeitos detidos.
Uma das razões citadas pelo governo federal foi a preocupação com a alta do preço do ouro que chama atenção dos invasores.
No domingo (1º), os Estados Unidos e Israel haviam acabado de iniciar os ataques contra o Irã, o que fez o preço do ouro voltar a disparar acima de US$ 5 mil por onça, que é a medida em gramas de quanto vale um ouro.
Além disso, o momento coincidiu com uma operação do Ibama que fez uma apreensão recorde para um único dia, com mais de 40 maquinários destruídos.
Professores de relações internacionais ouvidos pelo g1 apontam que o ouro já vinha num patamar elevado desde a posse do presidente norte-americano Donald Trump, e as últimas crises internacionais se somaram às incertezas.
Essa corrida pelo ouro cria um ambiente propício às atividades garimpeiras ilegais, especialmente aquelas localizadas em Sararé. É o que afirma Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe das operações da Polícia Federal no território.
“O ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé”.
Aguiar ressalta que a região é constantemente monitorada pelos órgãos de fiscalização e de segurança pública.
Essa situação pressiona o governo federal a entregar ainda neste mês um plano definitivo para expulsar os invasores do local.
Para o diretor de Proteção Ambiental do Ibama Jair Smith, o momento gera um alerta semelhante ao que ocorreu diante de outras crises internacionais que fizeram o preço do ouro disparar, mas ressalta que o trabalho de combate não muda conforme a oscilação de preços no mercado.
“Óbvio que existe uma atenção especial em relação a isso, que são fatores motivadores. Mas o trabalho de combate é permanente. Pode ser mais ou menos atrativo, mas essa relação causal não é tão imediata. E não é só na Sararé, se a gente for considerar assim, todas as áreas do país estão suscetíveis à exploração de ouro, porque se tornam mais visadas, com maior interesse na criminalidade”, explica.
Atualmente, a área garimpada ilegalmente na Sararé apresentou uma redução de 20%, quando comparada com dados de 2025 com 2024, segundo Smith.