Uma operação conjunta envolvendo forças de combate ao crime organizado de Mato Grosso e Santa Catarina movimentou o município de Colíder nesta terça-feira (19). A ação faz parte da Operação “Regalo”, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro ligados a administrações municipais catarinenses.
Em Mato Grosso, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Sinop cumpriu mandado de busca e apreensão em apoio às investigações conduzidas pelo Ministério Público de Santa Catarina. Durante a diligência realizada em Colíder, agentes recolheram aparelhos celulares e equipamentos de armazenamento de dados que passarão por perícia técnica.
O nome do alvo da investigação não foi divulgado, porém informações extra oficiais dão conta que ele seria um engenheiro prestador de serviços terceirizado para a prefeitura de Colíder atuando em projetos, laudos e obras. Antes de trabalhar em Mato Grosso, ele teve passagem pela administração pública no Sul do país, onde exerceu cargos ligados às áreas de obras, agricultura e pesca.
A ofensiva policial ocorreu simultaneamente em diversas cidades catarinenses e em Mato Grosso. Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e dezenas de ordens de busca e apreensão em residências, empresas e repartições públicas.
Segundo os órgãos responsáveis pela investigação, há suspeitas de que um grupo estruturado, formado por empresários e agentes públicos, atuava de maneira organizada para beneficiar contratos ligados a obras e serviços públicos. Os investigadores apuram possíveis pagamentos de propina, além de indícios de superfaturamento em contratos administrativos.
Entre os alvos da operação está o prefeito de Balneário Piçarras (SC), Tiago Baltt (MDB), preso preventivamente durante a ação. Empresários e pessoas ligadas às administrações municipais investigadas também foram alvo das medidas judiciais.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público de Santa Catarina, as investigações começaram em 2024 e buscam aprofundar a coleta de provas relacionadas a contratos de urbanização e obras públicas no litoral norte catarinense.
Os investigadores apontam ainda suspeitas de que vantagens indevidas eram pagas a partir de percentuais incidentes sobre contratos públicos. Somente em um dos municípios investigados, os valores sob suspeita ultrapassariam centenas de milhares de reais.
A operação contou, em Mato Grosso, com apoio do Gaeco, Polícia Militar e demais forças de segurança envolvidas na força-tarefa de combate à corrupção e ao crime organizado.


