Inflação no Japão atinge maior nível em dois anos e pressiona Banco Central a elevar juros

Índice de preços ao consumidor avança 3,7% em maio e mantém tendência acima da meta de 2% pelo terceiro ano consecutivo, em meio às incertezas comerciais com os EUA.

O núcleo da inflação do Japão registrou em maio seu maior patamar em mais de dois anos, mantendo-se acima da meta de 2% estabelecida pelo governo pelo terceiro ano consecutivo. O avanço nos preços alimentares e a persistente pressão inflacionária têm colocado o Banco do Japão (BoJ) sob crescente expectativa de um novo aumento nas taxas de juros, mesmo diante da instabilidade econômica gerada pelas políticas tarifárias dos Estados Unidos.

Dados divulgados nesta sexta-feira (21) mostram que o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI), que exclui os custos voláteis de alimentos frescos, subiu 3,7% em relação a maio de 2024 — acima da projeção de mercado, que era de 3,6%, e acelerando frente ao aumento de 3,5% registrado em abril. Trata-se da maior alta anual desde janeiro de 2023, quando o índice chegou a 4,2%.

Já o índice que exclui tanto alimentos frescos quanto custos de energia, considerado pelo Banco do Japão como um termômetro mais fiel da inflação impulsionada pela demanda interna, teve alta de 3,3% em maio, após subir 3,0% no mês anterior. Este é o maior nível desde janeiro de 2024, quando a variação foi de 3,5%.

O aumento dos preços foi puxado principalmente pelos alimentos processados, com destaque para o arroz, cujo preço dobrou em relação ao ano anterior, mesmo sem incluir vegetais e itens considerados voláteis.

A pressão inflacionária reacende o debate sobre a normalização da política monetária no Japão, que manteve por anos juros negativos como estímulo à economia. Segundo uma pesquisa da Reuters, a maioria dos economistas projeta que o próximo aumento de 25 pontos-base na taxa básica de juros ocorra no início de 2026.

Ryosuke Katagi, economista de mercado da Mizuho Securities, aponta que, apesar das incertezas provocadas pela política tarifária dos EUA, os números recentes reforçam a necessidade de ajustes na política do banco central. “Os dados de hoje mostram que a inflação doméstica segue em trajetória ascendente, especialmente no setor de bens. Analisando apenas os movimentos de preços, há justificativa para novos aumentos de juros ao longo de 2025”, afirmou.

O Banco do Japão, por sua vez, tem adotado uma postura cautelosa, monitorando de perto os desdobramentos nas negociações comerciais internacionais antes de qualquer decisão.

Fonte:Infomoney25/Redação

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