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Conmebol promete punições mais duras a clubes em casos de racismo

Nas últimas duas semanas houve cinco atos contra torcedores de times brasileiros

Depois de seguidas demonstrações de racismo em jogos da Copa Libertadores, a Conmebol anunciou nesta sexta-feira que pretende aumentar as punições aos clubes cujos torcedores cometerem esses atos.

– A Conmebol vai promover mudanças nos regulamentos para aumentar e endurecer as punições em casos de racismo. A entidade se compromete também a desenhar e implementar novos programas e ações com o objetivo de encerrar definitivamente este problema do futebol sul-americano – diz um comunicado pela entidade.

Só nas últimas semanas houve atos racistas da torcida do River Plate contra a do Fortaleza, em Buenos Aires, do Emelec contra o Palmeiras em Guaiaquil, do Boca Juniors contra o Corinthians em São Paulo, do Estudiantes contra o Bragantino também na Argentina e da Universidad Católica contra o Flamengo em Santiago.

O Código Disciplinar da Conmebol prevê multa mínima de US$ 30 mil (cerca de R$ 150 mil) para esses delitos. Mas os integrantes do Comitê de Disciplina – uma espécie de STJD da confederação continental – pode aumentar esse valor.

Neste ano, por exemplo, o Olímpia foi multado em US$ 45 mil (R$ 225 mil) por atos de racismo de seus torcedores num jogo contra o Fluminense.

Íntegra do comunicado pela Conmebol

Em vista dos últimos casos de expressões racistas durante os torneios da CONMEBOL, a Confederação Sul-Americana de Futebol manifesta o seguinte:

A CONMEBOL considera ABSOLUTAMENTE INACEITÁVEL qualquer manifestação de racismo e outras formas de violência em seus torneios. Assume e sempre assumirá sua parte de responsabilidade na luta contra todas as formas de discriminação. A luta contra este flagelo ocupa um espaço central nas preocupações e no trabalho da CONMEBOL, o que é evidente nas múltiplas campanhas de conscientização e ações de alcance massivo, assim como na aplicação de penalidades àqueles que incorrem nestas práticas desprezíveis.

A CONMEBOL promoverá mudanças nos regulamentos para AUMENTAR e ENDURECER as penalidades em casos de racismo. Compromete-se também a elaborar e implementar novos programas e ações que visem banir definitivamente este problema do futebol sul-americano.

O futebol é um disseminador único de valores positivos e construtivos na sociedade. Nos campos, nos treinamentos e nas competições, os jogadores de futebol aprendem desde pequenos a respeitar seus adversários e a apreciar suas virtudes, a tolerar os erros de seus colegas de equipe e a ajudá-los a corrigi-los, a trabalhar em equipe e em unidade, a saber que o caminho para a vitória é através do trabalho duro e do sacrifício. A CONMEBOL intensificará o trabalho contra o racismo e outras formas de discriminação nas CATEGORIAS DE BASE.

É preciso ressaltar que o racismo não é um fenômeno que começa e termina com o futebol, que, como espetáculo massivo, torna-se outra área altamente visível onde este e outros vícios sociais podem vir à tona. A sensação de anonimato proporcionada pela arena esportiva incentiva os desajustados a terem comportamentos inaceitáveis. Entretanto, isto mudou muito nos últimos anos, pois agora é possível IDENTIFICAR COM CLAREZA OS INFRATORES E PUNI-LOS COM MAIOR SEVERIDADE.

Estes flagelos não serão superados se não houver um entendimento de que devem ser atacados em todos os âmbitos: na educação familiar, nas escolas e colégios, na mídia, nas organizações civis, no mundo empresarial, através de políticas públicas e, certamente, também no esporte.

A CONMEBOL exorta todos os atores do futebol sul-americano – clubes, federações, mídia e torcidas – a REDOBRAREM OS ESFORÇOS PARA ERRADICAR O RACISMO e outras formas de violência e discriminação e preservar o que é mais valioso em nosso esporte: sua mensagem de companheirismo, esportividade e saudável competição.

Por GE

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