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Humor dos animais: eles têm personalidade?

Se você é tutor ou tutora de um animal de estimação por um período mais longo do que duas horas, certamente já verbalizou ou pensou a seguinte frase: “esse bichinho parece até gente”. Alguns tutores vão até mais longe e dizem que seu animalzinho “só falta falar”. Afirmações como essas são, portanto, parte do cotidiano de quem convive com o humor dos animais.

Mas, afinal, esses seres têm personalidade? De modo simplificado, a resposta é sim. Assim como os seres humanos, cada pet tem o seu jeitinho de ser, algo que fica extremamente evidente em lares com mais de um animal da mesma espécie. A pergunta que fica é: por qual motivo isso ocorre?

Hoje, dedicaremos um pouco de nosso tempo para discutir o que a ciência tem a dizer sobre esse tema e, claro, como podemos respeitar e nos adaptar à personalidade de cada um dos nossos grandes amigos. Boa leitura!

Há diferença entre humor e personalidade?

Uma dúvida muito recorrente é sobre a existência de uma diferença entre os significados desses dois termos. Já adiantamos que sim, esses conceitos são diferentes e, portanto, não podem ser utilizados como sinônimos. A seguir, veremos o porquê!

Humor é o estado de espírito em que um indivíduo se encontra naquele instante. Podemos, por exemplo, nos sentir felizes em um dia, mas tristes no outro. Já a personalidade é o conjunto de características que definem o modo de ser e a individualidade de uma pessoa — ou, no caso, de um animal.

Por isso, podemos dizer que a personalidade é algo mais “concreto”, enquanto o humor depende de uma série de fatores. Um animal extrovertido, por exemplo, pode se tornar tímido e retraído diante de uma situação de maus tratos ou abandono. Assim como pets que aparentam ser mais quietinhos, muitas vezes, demonstram sua verdadeira personalidade após uma boa dose de carinho.

Como funciona a personalidade dos animais?

A personalidade dos animais funciona mais ou menos do mesmo modo que a dos humanos. Ela é construída tanto por fatores genéticos como por influências do ambiente, que podem auxiliar no desenvolvimento de certos traços. Por muitos anos, no entanto, esse assunto foi completamente ignorado pelos pesquisadores.

Uma das primeiras observações consistentes sobre o fato se deu a partir de uma visita inusitada nas áreas movimentadas de Banff, no Canadá. A população passou, frequentemente, a receber a visita de um cervo, espécie jamais vista antes passeando entre os seres humanos. O interessante, no entanto, é que nos meses subsequentes, cada vez mais cervos acompanharam o pioneiro em suas visitas.

Isso demonstra que o primeiro animal tinha, em sua personalidade, traços mais fortes de coragem e até extroversão. E que, ao observarem a excursão bem sucedida de seu colega, os outros cervos do bando viram que também poderiam visitar outras áreas para esticar as pernas. Um exemplo claro de personalidade, capacidade de observação e até mesmo flexibilidade por parte dos animais.

A espécie do bichinho tem uma influência em seu humor?

Essa é outra pergunta muito recorrente e que, novamente, tem uma resposta positiva. A espécie tem uma influência direta no humor dos animais — que, lembre-se, varia de acordo com os estímulos do ambiente e de vários outros fatores — e sua personalidade. Até mesmo as raças ou a mistura entre elas podem desempenhar um papel importante nessa construção.

O importante, aqui, é sempre buscar entender as particularidades de cada espécie e respeitar essas diferenças para que, então, os animais possam viver de bom humor e desenvolver traços positivos de sua personalidade. Não podemos, jamais, esperar que um felino responda aos mesmos estímulos que os cães e vice-versa.

E os tutores? Têm um papel determinante sobre esse assunto?

Há um antigo ditado que diz que “bichos que não saem aos seus donos, são furtados”. Apesar de brincadeira, essa frase faz todo o sentido, já que os humanos têm uma influencia fundamental sobre o seu humor dos animais com os quais convivem e até mesmo sobre a personalidade, já que determinadas características podem ou não ser trabalhadas com a ajuda dos tutores.

Já sobre o humor, a coisa fica ainda mais interessante: os pets podem identificar o estado de espírito de seus tutores, como uma afirma uma pesquisa conduzida pela Universidade de Oakland, nos EUA. O mesmo estudo também nos mostra que eles podem, inclusive, desenvolver doenças similares às que seus humanos apresentam.

Já outro estudo, dessa vez publicado pela Scientific Reports, mostra que altos níveis de estresse em um ambiente doméstico podem fazer com que os pets também fiquem estressados. E, por fim, um grupo de cientistas da Áustria provou que nossos animais também imitam nossas personalidades por meio do reconhecimento de padrões, características e emoções.

Quais são os outros fatores que influenciam o humor dos animais?

Agora que já descobrimos que os animais podem ter seu humor — e, por vezes, até a sua personalidade — influenciado por fatores que vão desde o seu DNA (no caso das espécies e raças) até o comportamento de seus tutores, é necessário falarmos sobre outros dois pontos muito importantes.

O primeiro deles é o ambiente, que tem extrema importância na expressão de determinadas características ou na mudança do estado de espírito do pet. Evidentemente, fatores que contribuem para uma boa qualidade de vida (alimentação, conforto térmico, carinho e outros) tendem a deixar os bichinhos mais felizes e bem desenvolvidos no âmbito cognitivo.

O segundo é o estado de saúde do animal. Ainda que a personalidade não seja necessariamente alterada por problemas no organismo — exceto quando nos referimos às doenças cognitivas, como no caso do “Alzheimer” dos pets idosos —, muitas enfermidades podem trazer consequências para o humor dos animais.

Há doenças e problemas que podem surgir por conta do humor dos animais?

Aproveitando o gancho de nosso último tópico, falaremos, agora, sobre doenças que podem aparecer por conta das alterações no humor dos pets. Estamos, então, nos referindo aos problemas gerados pelo estresse, ansiedade, tristeza e vários outros pontos que são encaixados no grupo do “humor”.

A resposta é, novamente, positiva. Animais expostos constantemente a situações de estresse liberam, com uma frequência nada saudável, substâncias potencialmente nocivas em seu organismo. Isso pode, pouco a pouco, contribuir com o aparecimento de doenças, como alguns problemas de pele, por exemplo.

E o contrário? Há doenças que podem gerar alterações no humor?

Certo, já vimos que o estresse e a tristeza constante, assim como outras alterações negativas do humor, podem gerar consequências para o organismo. E o contrário? Existem doenças que afetam o estado de espírito de nossos amigos? Mais uma vez, a resposta é sim. Assim como nós, os bichinhos de estimação são afetados pelo mal estar decorrente das enfermidades.

Qualquer tipo de problema — seja ele uma doença renal, um mal estar gástrico, dores na coluna ou até acometimentos dentários — geram mudanças de comportamento em nossos animais. No entanto, é preciso estar muito atento às alterações sutis, já que, muitas vezes, os pets não demonstram sinais óbvios até o problema estar bem avançado.

Gatos, por exemplo, têm alguns traços de personalidade marcantes: são altamente orgulhosos, independentes e, claro, caçadores natos. Por isso, o ato de demonstrar qualquer desconforto seria, na natureza, uma desvantagem frente aos possíveis predadores e suas presas. O mesmo vale para os cães, que são bastante resistentes e evitam mostrar aos seus tutores qualquer tipo de mal estar. Fique de olho!

Como respeitar a personalidade de nossos pets?

Agora, veremos algumas dicas interessantes para que possamos, enfim, respeitar as diferentes nuances de personalidade de nossos amigos e deixá-los confortáveis, saudáveis e muito felizes. Confira!

Preste atenção nas alterações de humor

Como mencionado anteriormente, prestar muita atenção nas alterações de humor dos animais é fundamental. Elas denotam ou a presença de problemas ou a possibilidade de seu surgimento no futuro. Por isso, fique sempre de olho nos sinais emitidos pelo seu grande amigo e tente, na medida do possível, adequar a sua rotina a essas demandas.

Tenha cuidado ao lidar com seus pets

Respeitar a individualidade de seu pet também tem tudo a ver com o cuidado no trato com esse animal. Bichinhos mais tímidos, por exemplo, não precisam ser expostos à situações que os deixem desconfortáveis. Os mais agitados, por sua vez, demandam mais gasto de energia para se sentirem bem. Conheça essas particularidades e adeque a sua rotina a elas!

Entenda as atividades que seu bichinho gosta de fazer

Novamente, é importante saber ler o animal e identificar aquilo que o deixa feliz. Não adianta forçá-lo a realizar atividades que o deixem ansioso ou até mesmo triste e, claro, privá-lo daquilo que o faz se sentir bem. Identifique, portanto, as suas brincadeiras e exercícios preferidos e tente introduzir novidades, mas sem forçar a barra e respeitando o tempo do animal.

Tenha paciência

O respeito ao tempo também é muito importante. Cada pet, mesmo dentro de uma mesma espécie — ou até mesmo raça — tem o seu próprio ritmo. Isso é ainda mais importante quando falamos sobre bichinhos resgatados ou que sofrem de alguma doença. Tenha calma, seja prudente e tudo caminhará da melhor forma possível!

Converse com um veterinário

Nenhuma pessoa nasce sabendo de tudo, certo? Por isso, é fundamental falar com especialistas para identificar as melhores maneiras de lidar com a personalidade de seu bichinho. Além dos veterinários, adestradores e outros profissionais do cuidado animal também devem ser ouvidos em casos específicos.

Gostou de saber mais sobre a personalidade e o humor dos animais? Esse é um tema bastante interessante e que deve, sim, ser discutido por todos aqueles que convivem com pets. Apenas compreendendo melhor essas variações, poderemos trazer qualidade de vida e dignidade a esses seres pelos quais somos responsáveis.

Para que mais pessoas conheçam essas informações e passem, assim, a oferecer cuidados ainda mais eficientes e personalizados aos seus bichinhos, compartilhe este artigo em suas redes sociais e espalhe essas dicas!

Por Ative

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Sobre o autor

Edna Antonowiski

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