O prefeito de Abilio Brunini apresentou nesta semana a proposta de um novo Plano Diretor para Cuiabá, com diretrizes que pretendem orientar o crescimento da capital nas próximas décadas. A iniciativa, que ainda será analisada pelo Legislativo municipal, aposta em uma mudança de enfoque: mais do que obras e expansão urbana, o documento prioriza a qualidade de vida da população.
A proposta parte de uma revisão conceitual do papel do Plano Diretor. Em vez de se concentrar apenas em intervenções físicas, como abertura de vias ou grandes projetos estruturais, o texto busca estabelecer princípios que orientem o desenvolvimento urbano de forma mais ampla e duradoura. A meta, segundo a gestão, é construir um planejamento com horizonte de longo prazo, mirando transformações que possam impactar a cidade até meados do século.
Entre os principais eixos está a valorização do espaço urbano como ambiente de convivência. A administração municipal defende um modelo que privilegie pedestres e ciclistas, reduzindo a centralidade do automóvel nas decisões de mobilidade. Nesse contexto, também estão previstas ações voltadas ao aumento da arborização, incluindo o plantio em calçadas, o que deve exigir participação direta dos moradores.
Outro ponto relevante do plano é a agenda ambiental. A proposta inclui medidas para preservação de nascentes, córregos e rios urbanos, reconhecendo a importância desses recursos tanto para o equilíbrio ecológico quanto para o bem-estar da população. A revitalização do Centro Histórico também aparece como prioridade, com a intenção de recuperar áreas tradicionais e estimular sua ocupação.
O projeto ainda aborda um problema recorrente nas cidades brasileiras: os vazios urbanos. A prefeitura pretende adotar mecanismos para estimular o uso de terrenos ociosos, incluindo a aplicação progressiva do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Pela proposta, proprietários de áreas sem utilização poderão ser penalizados com aumento do tributo caso não deem função ao imóvel após notificação.
Especialistas avaliam que o sucesso do plano dependerá da capacidade de التنفيذ e do engajamento da sociedade civil. A tramitação na Câmara Municipal deve abrir espaço para debates e possíveis ajustes no texto, especialmente em temas sensíveis como tributação e uso do solo.
Se aprovado, o novo Plano Diretor poderá redefinir os rumos do crescimento de Cuiabá, alinhando desenvolvimento urbano a questões sociais e ambientais — um desafio comum às cidades que buscam se tornar mais sustentáveis e inclusivas.