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Bem-Estar

Quando a música é usada para promover bem-estar e saúde mental

Foto: maurenilson freire
Os benefícios da música na saúde são comprovados cientificamente. Saiba como usá-los a seu favor

São inúmeras as evidências científicas que relacionam o bem-estar e a saúde emocional à saúde física. Dentro desse conceito, a música e todas as formas em que ela influencia positivamente ajudam a manter o bem-estar e a saúde do indivíduo. Mas os sons e as notas como tratamento vão muito além das sensações prazerosas que canções que nos agradam podem trazer. A musicoterapia, como o nome sugere, é uma maneira de tratar pacientes por meio da música.

Segundo a World Federation of Music Therapy (WFMT) — ou Federação Mundial de Musicoterapia, em livre tradução —, a modalidade consiste na utilização da música e seus elementos, como ritmo, som, melodia e harmonia, com objetivos terapêuticos, para suprir necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.

Mas como funciona? O nome e o fácil acesso à música podem transmitir a ideia equivocada de que a terapia consiste apenas em ouvir uma faixa ou cantá-la. A musicoterapeuta, violoncelista, educadora musical e presidente da Associação de Musicoterapia do DF, Ângela Fajardo, explica que a música usada como terapia é diferente da composição como performance artística. “São finalidades diferentes. Por mais que você se sinta bem em um concerto ou um show e seja beneficiado por aquela sonoridade, não é algo direcionado ou trabalhado diretamente por você, como é na terapia”, explica.

Em uma sessão de musicoterapia, os elementos sonoros são usados de acordo com o objetivo terapêutico destinado a um paciente ou grupo, e ela pode ser ativa ou passiva, a depender das necessidades e capacidades individuais. A musicoterapeuta Sarah Costa explica que é feita uma avaliação inicial, na qual é identificada a demanda do paciente, sendo ela de reabilitação ou de desenvolvimento. A partir daí, é criado um plano musicoterapêutico.

Na musicoterapia ativa, o paciente é convidado a cantar, vocalizar sons e manusear instrumentos musicais de forma livre ou de acordo com a orientação do terapeuta, de acordo com o problema ou dificuldade a serem tratados.

Existem diversas formas de abordagem. Quando o paciente precisa trabalhar habilidades de comunicação, por exemplo, ele pode ser incentivado a explorar os sons que é capaz de produzir. Já no caso de um paciente tratando a psicomotricidade, ele é estimulado a tocar e explorar os instrumentos.

Por meio dessas expressões, o terapeuta consegue atingir conteúdos internos daquele paciente e trabalhar com as técnicas mais convenientes. Sejam elas guiadas, sejam exploradas livremente por parte do paciente.

Entre as técnicas, Ângela menciona a improvisação musical, que é trabalhar uma composição instantânea com o paciente, estimulando a mencionar os assuntos e temas que o levaram à terapia. A improvisação pode usar palavras e melodias ou somente o ritmo dos instrumentos escolhidos. “Nesse diálogo, forma-se um vínculo sonoro e uma comunicação entre paciente e terapeuta. Até mesmo o instrumento escolhido pode dizer muita coisa sobre a personalidade e o que traz a pessoa para aquele teste terapêutico”, acrescenta.

No caso de pacientes acamados e que sentem muita dor, a musicoterapia receptiva também é uma alternativa. Por meio da escuta e da vibroacústica, o paciente recebe a estimulação sonora. O estímulo da vibração cria um campo sonoro de relaxamento que alivia dores musculares, fadiga, náuseas e até mesmo os efeitos de uma sessão de quimioterapia. O método também costuma ser muito usado como um cuidado paliativo, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

A vibroacústica auxilia na organização celular, promovendo uma espécie de equalização do corpo, auxiliando no ritmo dos batimentos cardíacos e melhorando a pressão arterial. O uso das frequências do som de taças tibetanas também é um método valioso na musicoterapia. Cada frequência equivale a uma região do corpo e, a depender do que precisa ser tratado, é feito o estímulo de som.

Sarah acrescenta que a musicoterapia promove o ganho de novas habilidades. “A neurociência tem mostrado que a exposição à música afeta o funcionamento do cérebro, o ajudando a se desenvolver e ativar determinadas regiões.” 

Principais vantagens da musicoterapia

Ajuda no desenvolvimento do foco, atenção e criatividade.
Ajuda a aliviar sintomas de ansiedade e depressão.
Desenvolve habilidades pessoaise autoestima.
Diminui processos de insônia.
Atua na reabilitação motora, na motricidade fina e ampla.
Promove movimentação das articulações e diminuiçãode dores crônicas.

Musicoterapia on-line

No Hospital da Criança de Brasília, onde Ângela Fajardo atua, existem três linhas de cuidado, a clínica, a onco-hemato e a cirúrgica. Em cada uma delas, a musicoterapia pode ser aplicada de uma forma diferente. Com a pandemia e a necessidade de isolamento social, buscaram-se alternativas para que os pacientes não ficassem sem a terapia.
A equipe dividiu as crianças em perfis semelhantes e formou dois grupos on-line, que acabaram se unindo depois. Mesmo após o retorno das sessões presenciais, muitas crianças e famílias optaram por continuar no grupo on-line. “Foi muito positivo e eu me surpreendi. Acredito que essa interação entre eles foi mais uma vantagem. Vimos crianças que não interagiam tanto no presencial começarem a ter relação com os colegas”, observou Ângela.
O projeto também permitiu a implementação de uma oficina de instrumentos musicais com material reciclável de fácil acesso. Criar instrumentos com garrafas pet, sementes, grãos, entre outros objetos, promoveu ainda mais estímulos para as crianças e famílias envolvidas.

Por: Ailim Cabral | Correio Braziliense

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