Alckmin critica sobretaxa dos EUA sobre aço e alumínio e alerta para impacto global no setor

Presidente em exercício afirma que medida não atinge apenas o Brasil, mas encarece a cadeia produtiva internacional e pede mais diálogo entre os governos

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, declarou nesta quarta-feira (5) que o aumento da tarifa de importação sobre o aço e o alumínio anunciado pelos Estados Unidos representa um problema global, com reflexos diretos sobre a cadeia industrial de diversos países, inclusive o Brasil.

A medida, que eleva a alíquota de 25% para 50%, foi anunciada pelo presidente Donald Trump e atinge todos os países exportadores desses insumos para os EUA. Segundo Alckmin, a taxação encarece os produtos e afeta negativamente a competitividade internacional.

“O aumento da tarifa de importação não é ruim só para o Brasil, é ruim para todo mundo. Vai encarecer os produtos e impactar cadeias industriais inteiras”, afirmou o presidente em exercício, durante evento de inauguração do Parque Solar de Arinos, em Minas Gerais.

Alckmin lembrou ainda que o Brasil é o segundo maior comprador de carvão siderúrgico dos Estados Unidos. O insumo é processado pela indústria nacional e depois revendido aos americanos, que o utilizam na fabricação de motores, automóveis e aeronaves. “É uma cadeia integrada e relevante para os dois países”, reforçou.

Com o objetivo de buscar soluções diplomáticas, foi criado um grupo de trabalho bilateral, com representantes do Ministério do Desenvolvimento e das Relações Exteriores pelo lado brasileiro, e do USTR (Representante de Comércio dos EUA) pelo lado norte-americano.

Alckmin também destacou que o Brasil mantém tarifa zero para oito dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos ao país, evidenciando um posicionamento mais aberto do lado brasileiro.

A nova sobretaxa foi imposta menos de três meses após a primeira rodada de aumentos, quando as tarifas saltaram para 25%. Agora, com a alíquota em 50%, o cenário aponta para uma política comercial fortemente protecionista por parte do governo dos EUA, com foco declarado na reindustrialização interna.

Reações do setor produtivo

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) manifestou preocupação com os impactos da medida e cobrou ações mais amplas por parte do governo brasileiro. Para a entidade, é preciso reforçar instrumentos de defesa comercial e ajustar tarifas para combater práticas desleais, ao mesmo tempo em que se constrói uma estratégia para reposicionar o Brasil na nova geografia global da cadeia do alumínio.

O Instituto Aço Brasil também reagiu, pedindo a reconstrução do mecanismo de cotas que permitia a entrada de aço brasileiro nos EUA sem a aplicação de tarifas. A entidade destacou que, em 2024, das quase 6 milhões de toneladas de placas de aço demandadas pelas usinas norte-americanas, 3,4 milhões foram fornecidas pelo Brasil.

“A manutenção do diálogo é essencial para restaurar o fluxo comercial em bases justas. A medida, além de prejudicar a indústria brasileira, afeta diretamente a indústria americana, que depende das importações para suprir sua produção”, concluiu o instituto.

Fonte:Agência Brasil/Redação

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