Produção de milho e carne deve ficar mais cara; enquanto isso, produtores de soja podem encontrar prosperidade
Dentre as diversas consequências que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã deve trazer para o mundo, alterações no agronegócio também são esperadas. Os custos de produção e logística devem aumentar no Brasil, já que o Oriente Médio é um dos principais importadores de frango, carne bovina e milho brasileiros.
Não é só pela falta da procura dessas mercadorias que o Brasil deve enfrentar desafios. Segundo Daniel Vargas, professor da escola de economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em São Paulo, com o aumento do preço do petróleo, o agronegócio também sofre, já que o setor depende do diesel para energizar o maquinário empregado no campo.
“Costumamos dizer que carne é, no fundo, soja e milho misturados com algumas outras coisas. Eles são os insumos básicos com os quais se produzem vários outros produtos da nossa cadeia industrial. Na medida em que se tem um aumento do custo para usar um insumo fundamental na produção do milho, ao longo do tempo isso irá respingar sobre outras cadeias de produção”, explicou o especialista
Nem todos os setores, entretanto, sairão perdendo com as mudanças. Vargas dá o exemplo do mercado de biocombustíveis. Com o aumento do preço do petróleo, produtores de cana-de-açúcar e soja podem ver um aumento pela demanda de etanol e biodiesel.
Ele conclui: “Por um lado, tem ameaças graves. Por outro, tem oportunidades que não são necessariamente para serem celebradas, mas são importantes de se ter na hora de refletir quais serão os impactos gerais sobre a economia”.