Investigação da GCCO revela atuação orquestrada de grupo criminoso com logística interestadual, uso de disfarces e conhecimento técnico avançado
A investigação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio da Delegacia de Sorriso, culminou no desmantelamento de uma facção criminosa oriunda do Estado de São Paulo. O grupo é apontado como responsável pelo furto de R$ 300 mil de um terminal de autoatendimento em Sorriso, crime ocorrido em 21 de agosto de 2023.
A apuração, baseada em sistemas de monitoramento como o “Vigia Mais MT” e o Sistema Inteligente Completo para Centrais de Monitoramento, rastreou o trajeto de um Fiat Argo cinza utilizado na ação. O carro, locado por uma mulher em Mauá (SP), partiu da cidade paulista no dia 20 de agosto, ingressou em Mato Grosso por Alto Araguaia, percorreu a região norte do estado e retornou para São Paulo após o furto.
Chamou atenção dos investigadores o fato de o veículo ter passado por Sinop por volta das 12h40 do dia do crime, seguido até Sorriso, onde o furto foi executado às 16h20. Posteriormente, retornou a Sinop às 17h50, ficando estacionado por dois dias em uma quitinete onde o grupo criminoso se hospedou.
As investigações identificaram o uso de TAGs eletrônicas nas praças de pedágio durante o trajeto, o que permitiu reconstituir o caminho percorrido. Os quatro suspeitos se hospedaram em hotéis de Sorriso e Sinop, e, no dia seguinte ao furto, foram flagrados realizando depósitos bancários com o dinheiro subtraído.
A dinâmica do crime foi meticulosamente arquitetada: um dos autores se passou por técnico de manutenção de caixa eletrônico e o outro, por segurança. Imagens de circuito interno mostram ambos se aproximando do terminal com uma maleta de ferramentas — item adquirido em loja do bairro Jardim Jacarandás, em Sinop, conforme confirmado pela polícia.
Os demais integrantes da quadrilha atuaram nos bastidores: um como olheiro e o outro como financiador e motorista, responsável por viabilizar a logística do crime, cobrindo custos de hospedagem, combustível e materiais.
Segundo o delegado Sued Dias da Silva Júnior, que preside o inquérito na GCCO, trata-se de uma facção criminosa com conhecimento técnico sofisticado, capaz de violar terminais bancários em tempo reduzido, sem deixar rastros aparentes ou danificar o equipamento — evidência clara de acesso a informações privilegiadas da área de segurança bancária.
Assista ao vídeo com a declaração do delegado Sued Dias da Silva Júnior sobre o caso:
O trabalho investigativo segue em andamento para responsabilização penal dos envolvidos e identificação de outros possíveis membros da organização criminosa.
Fonte:PJCMT/Redação