Expectativas de recuo nas tarifas impulsionam cotações na Bolsa de Nova York mesmo sem confirmação oficial das negociações
O mercado internacional do algodão foi movimentado nesta semana pela expectativa de uma possível trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mesmo sem anúncio oficial, as especulações fizeram os contratos futuros atingirem os maiores patamares desde Dezembro de 2024 na Bolsa de Nova York.
Segundo o Boletim de Inteligência de Mercado da Abrapa, divulgado nesta sexta-feira (25), o contrato Jul/25 encerrou o dia anterior cotado a 67,17 U$c/lp, alta de 3% em relação à semana anterior. O contrato Dez/25 fechou em 70,37 U$c/lp, com avanço de 2,8%.
A movimentação teve impulso após declarações do ex-presidente Donald Trump, sugerindo redução da tarifa de 145% imposta às importações chinesas. O Secretário do Tesouro dos EUA também classificou o impasse atual como insustentável, elevando o otimismo dos investidores. Apesar disso, o governo chinês negou qualquer negociação em andamento, embora estude aliviar tarifas sobre alguns produtos norte-americanos.
No campo, chuvas beneficiaram plantações no Delta e no Texas, enquanto o plantio nos EUA atinge 11% da área prevista. Na China, o avanço é de 90%, com estimativa de crescimento de 1,5% na área cultivada.
As exportações brasileiras seguem firmes, com 154,3 mil toneladas embarcadas nas três primeiras semanas de abril — uma média diária 8,2% superior ao mesmo período de 2024.
Na Ásia, Bangladesh e Indonésia intensificam articulações com os EUA para garantir condições mais favoráveis no comércio de algodão e produtos têxteis. Na Europa, a Abrapa lidera agenda de encontros com foco na promoção do algodão brasileiro e no alinhamento com novas exigências do mercado europeu.
Por fim, um alerta ambiental: estudo australiano aponta que a reciclagem química de poliéster com resíduos têxteis pode liberar altos níveis de microplásticos, acendendo sinal de atenção para o setor.
Fonte:Rádio Rota FM