Remédio é aprovado no Brasil para diabetes tipo 2, mas usado off label para obesidade; preço alto e necessidade de receita especial prometem restringir uso indiscriminado
A partir da primeira quinzena de maio, o medicamento Mounjaro começará a ser vendido nas farmácias do Brasil. Fabricado pela farmacêutica Eli Lilly, o remédio terá, num primeiro momento, disponibilidade limitada às doses de 2,5 mg e 5 mg. A empresa afirma que, até o dia 15, o produto estará presente em todo o país, embora a distribuição possa variar conforme o estado.
Aprovado pela Anvisa exclusivamente para o tratamento do diabetes tipo 2, o Mounjaro vem sendo utilizado também para combate à obesidade, em regime off label — quando o uso vai além do previsto na bula. A farmacêutica já protocolou pedido na Anvisa para que o medicamento também seja aprovado formalmente para essa finalidade, como já ocorre nos Estados Unidos.
Os preços variam entre R$ 1.406,75 e R$ 2.384,34, a depender da dose, da loja (física ou e-commerce) e da adesão ao programa de descontos da própria Eli Lilly. O remédio é importado de uma unidade da farmacêutica na Europa, o que impacta diretamente no custo. O preço máximo permitido pela Cmed, sem impostos, é de R$ 4.058,85. A partir de junho, entra em vigor uma nova exigência da Anvisa: o Mounjaro, assim como medicamentos como Ozempic e Saxenda, só poderá ser vendido com receita em duas vias, sendo uma delas retida pela farmácia. A decisão visa frear o uso descontrolado e a automedicação, que se tornaram comuns diante da popularidade desses remédios como auxiliares no emagrecimento.

— A exigência da receita retida corrige um problema sério que é o uso indiscriminado. As pessoas compravam sem acompanhamento médico, o que é arriscado — afirma a endocrinologista Andressa Heimbecher, da SBEM.
O princípio ativo do Mounjaro é a tirzepatida, substância injetável que deve ser aplicada uma vez por semana, com aumento progressivo da dose. Seu mecanismo de ação é duplo, atuando em dois hormônios relacionados à regulação do apetite e do metabolismo. Estudos científicos mostram que o Mounjaro tem desempenho superior ao Ozempic tanto no controle glicêmico quanto na redução de peso.
O remédio ainda não está disponível no SUS, mas a Eli Lilly já sinalizou que pretende iniciar tratativas com o Ministério da Saúde para viabilizar a incorporação no sistema público futuramente. Até lá, seu uso seguirá restrito a quem pode pagar — e, em breve, a quem também tiver a receita médica em mãos.
Fonte:Rádio Rota FM