“Pará pede dignidade”: moradores da Gleba São Benedito denunciam abandono e querem solução para a região sustentada por Mato Grosso

Moradores da Gleba São Benedito, localizada em território paraense na divisa com Mato Grosso, realizaram uma reunião considerada histórica nesta segunda (18), na sede da Associação Agrodito, em Paranaíta, para discutir a situação de abandono enfrentada por centenas de famílias da região. O encontro serviu como preparação para a audiência marcada para o próximo dia 21 de maio, em Brasília, com o ministro do STF, Flávio Dino.

Além das lideranças comunitárias, a reunião também contou com manifestações de apoio de representantes da sociedade civil e profissionais que acompanham a situação enfrentada pelas famílias da Gleba São Benedito.

Durante o encontro, o Dr. Jonavan destacou a importância da união da comunidade e demonstrou esperança de que a audiência em Brasília traga resultados concretos para os moradores.

“A gente tem fé de que tudo isso se resolva e traga dignidade e vida melhor para essas famílias”, afirmou Dr. Jonavan.

A palavra mais repetida durante toda a reunião foi uma só: dignidade.

Entre relatos emocionados, moradores denunciaram falta de saúde, precariedade na educação, ausência de segurança pública e abandono por parte do poder público do Pará, especialmente do município de Jacareacanga, ao qual a região pertence oficialmente.

Segundo os moradores, praticamente toda a assistência social, médica e estrutural da comunidade vem sendo garantida pelo município mato-grossense de Paranaíta, administrado pelo prefeito Osmar Moreira.

“Nós só queremos dignidade”, diz presidente da associação

O presidente da Associação Agrodito, Carlos Cavalcante, conhecido como Cacá, foi uma das principais vozes da reunião. Em entrevista a Rádio Rota FM e ao portal de notícias Rota MT  durante o encontro, ele descreveu um cenário que classificou como desumano.

“O que a gente quer é dignidade. Saúde, segurança e educação, que nós não temos aqui”, afirmou.

Segundo ele, a realidade enfrentada pelas famílias da Gleba São Benedito é marcada pela precariedade total dos serviços básicos.

Carlos Cavalcante relatou que escolas funcionam em condições improprias, com salas divididas por paredes improvisadas e dois professores lecionando ao mesmo tempo no mesmo ambiente.

“Tem aluno usando carteira quebrada há mais de oito anos. Tem sala dividida no meio, um professor dando matemática e outro português ao mesmo tempo”, denunciou.

Na área da saúde, a situação também preocupa. Conforme o presidente da associação, a comunidade conta apenas com um médico, que vem de Jacareacanga durante a semana, enquanto medicamentos básicos faltam constantemente.

“Aqui não tem remédio. Só tem dipirona. Se acontece algo grave, quem socorre é Paranaíta”, relatou.

Durante a reunião, moradores afirmaram que praticamente toda a vida social e econômica da comunidade depende do Mato Grosso.

Compras, atendimento médico, combustível, manutenção de veículos, transporte de emergência e até apoio funerário são realizados por Paranaíta.

A distância e a dificuldade de acesso à sede do município paraense de Jacareacanga agravam ainda mais a situação. Segundo relatos, o trajeto pode ultrapassar mil quilômetros por estrada e travessias de balsa.

“Hoje, quem dá respaldo pra nós é o prefeito Osmar Moreira. Se alguém passa mal, é Paranaíta que ajuda. Se precisa de ambulância, é Paranaíta”, afirmou Carlos Cavalcante.

Moradores também destacaram ações recentes realizadas pela Prefeitura de Paranaíta em comunidades rurais do município, como investimentos em saúde e infraestrutura no assentamento São Pedro, apontado pelos presentes como exemplo do que gostariam de ver na Gleba São Benedito.

A mobilização dos moradores ganhou força após o avanço das discussões envolvendo a redefinição territorial da região de divisa entre Mato Grosso e Pará.

No próximo dia 21, representantes da comunidade devem levar ao ministro Flávio Dino uma ata oficial produzida durante a reunião, relatando a realidade enfrentada pelas famílias da gleba.

A expectativa é de que o encontro em Brasília possa abrir caminho para mudanças administrativas e garantir maior presença do poder público na região.

Mesmo sendo oficialmente território paraense, segundo os próprios moradores, cerca de 90% das famílias dependem diretamente da estrutura oferecida por Mato Grosso.

“Ninguém está pedindo nada demais. Só o que é justo. O ser humano precisa ter dignidade”, reforçou o presidente.

Ao final da reunião, o sentimento predominante entre os moradores era de esperança, mas também de cobrança por providências concretas.

“Juntos somos mais fortes”, dizia a faixa estampada no encontro. Para os moradores da Gleba São Benedito, mais do que uma frase, o lema virou um apelo por reconhecimento, respeito e condições mínimas de vida.

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