O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado nesta terça-feira (18) pela Rádio Centro América, começou em tom de confronto e teve como um dos principais pontos de tensão a troca de acusações entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes (PL).
Durante o encontro, Pivetta levou para o centro da discussão episódios envolvendo o ex-governador Silval Barbosa e mencionou a delação do ex-chefe do Executivo estadual, na qual aparece o nome de Cinésio Nunes de Oliveira, atual chefe de gabinete de Wellington Fagundes.
Em uma das perguntas mais incisivas do debate, Pivetta associou o adversário ao período em que Silval comandou Mato Grosso e questionou se Wellington estaria disposto a retornar ao cenário político daquela época.
“O senhor foi parceiro de Silval e seu chefe de gabinete atual, Cinésio, foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime?”, questionou Pivetta.
A referência feita pelo governador está relacionada às declarações prestadas por Silval Barbosa em seu acordo de colaboração, no qual o ex-governador relatou supostos pagamentos ilícitos envolvendo contratos e obras públicas, entre elas as relacionadas ao programa MT Integrado.
Segundo o relato apresentado na delação, Wellington Fagundes teria reivindicado espaço político na Secretaria de Infraestrutura e Transportes durante a gestão Silval e indicado Cinésio Nunes para atuar na estrutura da pasta.
Ainda conforme a versão apresentada pelo ex-governador, teria havido pressão para o recebimento de vantagens financeiras relacionadas a contratos de obras rodoviárias. Silval também relatou a existência de percentuais de propina pagos por empresas contratadas pelo Estado.
As acusações, porém, não resultaram em condenação de Wellington Fagundes. O senador não foi denunciado ou condenado por esses fatos.
Diante das acusações, Wellington Fagundes procurou deslocar o debate para sua trajetória política e destacou sua atuação na articulação de recursos para Mato Grosso.
Ao responder diretamente à menção a Cinésio Nunes, afirmou:
“Eu conheço o Cinésio, ele não tem nenhum processo, que ele foi julgado e condenado. Quero dizer que não ajudei só o governo Silval, eu ajudei todos os governos.”
O candidato do PL também apresentou resultados que atribui à sua atuação em Brasília, citando a conquista de recursos para o Estado e para os municípios.
“Ajudei a trazer R$ 3 bilhões ao Governo do Estado e R$ 1 bilhão para os municípios”, declarou Fagundes, ao mencionar a aprovação do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX).
A defesa de Cinésio também encontra respaldo em decisões judiciais. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso absolveu o aliado de Fagundes em ação relacionada às acusações de participação em esquema de propina.
O embate entre os dois candidatos não ficou restrito ao período do governo Silval. Pivetta também questionou a influência política atribuída a Wellington Fagundes no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ao longo de diferentes governos federais.
O governador afirmou que o senador teria utilizado sua influência para indicar nomes para cargos no órgão em Mato Grosso e fez referência à suposta utilização dessas posições para intermediar negócios.
A fala resgatou investigações envolvendo contratos de infraestrutura e o programa MT Integrado, que já havia aparecido em investigações policiais e no acordo de colaboração firmado por Silval Barbosa.
O primeiro debate deixou evidente que a disputa pelo Governo de Mato Grosso deverá explorar não apenas propostas para a próxima gestão, mas também a trajetória política dos principais candidatos.
Ao levar as declarações de Silval Barbosa para o confronto direto com Wellington, Pivetta tentou associar o adversário a um período marcado por investigações e escândalos de corrupção. Wellington, por sua vez, buscou apresentar sua atuação durante diferentes governos como resultado de articulação política e obtenção de recursos para Mato Grosso.
O confronto também estabeleceu uma das primeiras linhas narrativas da eleição: enquanto Pivetta aposta no discurso de questionamento ao passado político do adversário, Wellington procura defender sua experiência e atuação em Brasília.
Apesar das acusações e referências feitas durante o debate, é importante destacar que Wellington Fagundes não foi condenado pelos fatos mencionados e as declarações atribuídas a Silval Barbosa fazem parte de um acordo de colaboração, não representando, por si só, uma condenação judicial contra o senador.