Com crescimento de 17% na safra 2024/25 e liderança no etanol de milho, estado consolida protagonismo energético no país
A liderança de Mato Grosso na produção nacional de etanol é questão de tempo. Com crescimento de 17,09% na safra 2024/25 e volume recorde de 6,70 bilhões de litros, o estado consolida-se como o segundo maior produtor do país, superando a média nacional de crescimento de 3,65% e deixando para trás estados como Goiás e Mato Grosso do Sul.

Os dados foram divulgados no relatório de encerramento da safra elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a pedido do Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Bioind-MT). Segundo o levantamento, o crescimento expressivo é impulsionado pelo avanço da produção de etanol de milho, setor em que Mato Grosso já ocupa o primeiro lugar nacional.
“A perspectiva é clara. Em poucos anos, podemos assumir a liderança nacional na produção total de etanol. Mas ainda enfrentamos desafios logísticos, como a implantação de um etanolduto para ampliar nossa capacidade de escoamento interno e exportação”, ressalta Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT e do Sistema Fiemt.
Enquanto Mato Grosso expande sua produção, São Paulo — atual líder com 13,64 bilhões de litros — registrou retração de 1,79% na safra. O desempenho mato-grossense é resultado direto da alta na moagem de milho, que cresceu 23,65% e atingiu 12,5 milhões de toneladas. A produção de etanol de milho saltou para 5,62 milhões de metros cúbicos, enquanto os coprodutos também apresentaram forte avanço: DDG/DDGs com aumento de 28,28% e óleo de milho com crescimento de 29,92%.
Mesmo com números robustos, o setor ainda enfrenta gargalos, especialmente no fornecimento de biomassa — fundamental para o funcionamento das usinas. O risco de apagão energético, devido à demanda crescente por eucalipto como fonte, preocupa a indústria. “Estamos incentivando investimentos no setor de base florestal para garantir o fornecimento de biomassa. Sem isso, a expansão do etanol de milho pode ser comprometida”, alerta Giuseppe Lobo, diretor executivo do Bioind-MT.
Na contramão do milho, a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar caiu no estado. A moagem recuou 2,37% e a produção do biocombustível encolheu 8,63%. Por outro lado, a produção de açúcar subiu 6,21%.
As projeções para a safra 2025/26 mantêm o otimismo: espera-se uma alta de 6,53% na moagem de milho e produção de 5,98 milhões de metros cúbicos de etanol. A produção de coprodutos também deverá crescer, com destaque para o DDG/DDGs (+6,70%) e óleo de milho (+1,97%). Para a cana-de-açúcar, a previsão é de estabilidade na moagem, com ligeiro recuo de 2,10% na produção de etanol e crescimento de 4,10% na fabricação de açúcar.
A longo prazo, o cenário é ainda mais promissor. Mantido o ritmo atual, Mato Grosso pode alcançar uma moagem de 80 milhões de toneladas de milho em 10 anos e ultrapassar os 14 milhões de metros cúbicos de etanol por safra.
“Estamos diante de uma trajetória consistente de crescimento e diversificação. O setor de bioenergia em Mato Grosso está preparado para ampliar sua contribuição à transição energética brasileira e ao desenvolvimento sustentável”, finaliza Giuseppe.
Fonte:Canal Rural MT/Redação