Irã, um dos principais destinos do milho mato-grossense, vive cenário de instabilidade; guerra também pode pressionar custos da soja e do frete na safra 25/26
A instabilidade no Oriente Médio pode representar mais uma pressão sobre os preços do milho mato-grossense. O alerta vem em meio à escalada das tensões entre Irã e Israel, que se somam a outros conflitos internacionais, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, elevando o risco geopolítico no comércio internacional.
Em 2024, o Irã ocupou a terceira posição entre os maiores compradores do milho de Mato Grosso, adquirindo 2,4 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Já em 2025, o volume caiu para 487,2 mil toneladas, atrás apenas do Egito, que lidera os embarques com 587,3 mil toneladas.
Segundo Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o impacto direto pode não ser o suficiente para derrubar os preços de forma abrupta, mas representa mais uma variável de pressão. “O Irã não é o principal destino, mas é relevante. O mercado já vem fragilizado e qualquer tensão a mais pode interferir nos valores pagos aos produtores”, destaca.
Custos podem aumentar dentro e fora da porteira
O reflexo da tensão no Oriente Médio não se restringe às exportações. De acordo com Rodrigo, há preocupação com o custo do óleo diesel, que já vem em trajetória de alta e é o principal componente no valor do frete. “Esse conflito pode elevar ainda mais o preço do petróleo, e isso impacta diretamente nas operações mecanizadas no campo e na logística de escoamento”, pontua.
Soja 25/26: compras mais lentas e cautelosas
A guerra também lança dúvidas sobre os insumos da próxima safra de soja, com início do plantio previsto para setembro. Apenas 60% dos insumos foram adquiridos até agora em Mato Grosso — atraso de 15 pontos percentuais em relação à média dos últimos cinco anos, segundo o Imea.
A cautela é explicada pelo cenário de incertezas e possível nova escalada nos preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, caso o conflito no Oriente Médio ganhe proporções semelhantes à guerra no Leste Europeu.
“A tomada de decisão neste momento é crucial. O produtor precisa avaliar o cenário com atenção, tanto para o milho quanto para a soja. A geopolítica tem peso direto no campo”, finaliza Rodrigo Silva.
Fonte:Canal Rural MT/Redação