Durante palestra na Febrasem, economista aponta que cenário internacional impulsiona investimentos no Brasil e projeta assinatura do acordo entre 2025 e 2026
O atual cenário de instabilidade econômica e geopolítica envolvendo potências como Estados Unidos, China, Rússia e Ucrânia tem beneficiado o Brasil e a América Latina. A avaliação é do economista Ricardo Amorim, que participou nesta quarta-feira (11) do primeiro dia da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), em Rondonópolis (MT).
Durante sua palestra, Amorim apontou que a conjuntura internacional pode, enfim, viabilizar a assinatura do aguardado acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, após mais de duas décadas de impasses. Segundo ele, a conclusão do tratado pode ocorrer entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.

O economista destacou que o principal entrave para o avanço do acordo sempre foi o protecionismo agrícola de países europeus, especialmente França, Áustria e Polônia. No entanto, ele observa uma mudança de posicionamento: “A Áustria já disse que pode aprovar amanhã, e a Polônia também está mais receptiva. Resta a França”, disse.
Segundo Amorim, o cenário pode mudar rapidamente se as tarifas prometidas por Donald Trump entrarem em vigor no próximo dia 9 de julho, como parte de uma nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra a União Europeia. O impacto esperado seria o aumento no preço dos alimentos, o que pode pressionar politicamente os líderes europeus. “Quando o Macron tiver que escolher entre o pescoço dele e o produtor francês, ele vai proteger o próprio pescoço”, afirmou.
Outro ponto central da análise foi a posição do Brasil como o único grande país emergente com risco geopolítico próximo de zero. “São 165 países emergentes. A Rússia está em guerra, a China sob tensão comercial, a Índia entrou em conflito recentemente. Sobramos nós. Não porque está tudo bem, mas porque não está pior”, resumiu.
Essa percepção tem atraído investimentos para o Brasil, impulsionando perspectivas de crescimento econômico e geração de empregos. Para o setor agropecuário, a projeção de Amorim é otimista: “O agro vai crescer em volume e receita mais do que se imagina. Muitos países estão de olho no Brasil”.
Amorim também defendeu o uso da tecnologia como fator estratégico de decisão, comparando sua importância à das inovações em sementes. “Tecnologia não é luxo, é sobrevivência. Quem usar bem, sai na frente”, concluiu.