Tragédia no RS em 2024 expôs falta de plano nacional para lidar com eventos extremos; clubes tentam reagir, mas ações seguem pontuais e isoladas
O futebol brasileiro pouco avançou em 2024 quando o assunto é enfrentamento aos desastres climáticos. Mesmo após a enchente histórica que atingiu 96% do Rio Grande do Sul e deixou mais de 180 mortos, o país segue sem um plano nacional para orientar clubes e federações diante de eventos extremos como inundações, secas, queimadas e ondas de calor.
Clubes como Grêmio e Internacional foram diretamente afetados: prejuízos estruturais, adiamento de jogos e impacto financeiro. O vice-presidente de Planejamento do Inter, Guilherme Mallet, afirmou que mudanças começaram a ser feitas, como materiais mais resistentes e planos de evacuação, mas reconhece que o tema exige atenção contínua.
A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) relatou que não teve apoio de prefeituras ou do governo para se recuperar das enchentes, contando apenas com auxílio da CBF. Enquanto isso, o Ministério do Esporte redirecionou R$ 26 milhões em emendas e distribuiu cestas básicas, mas não confirmou se há política pública permanente para o tema.
No meio da escassez de políticas estruturadas, clubes começam a se movimentar. Atlético-MG, por exemplo, já trata mudanças climáticas como fator de risco em suas estratégias. Segundo Fernando Monfardini, do clube mineiro, a palavra agora é adaptação: repensar gramados, estruturas e o calendário das competições.
Com quase todos os clubes da Série A sob ameaça de eventos climáticos nos próximos 10 anos, a urgência é clara. O Brasil registrou 10 fenômenos extremos em 2024, três deles sem precedentes, segundo a ONU.
Ainda sem instrumentos específicos para o setor esportivo, o governo tenta correr atrás. Durante a COP29, foi apresentado o Plano Nacional de Ação Climática para o Esporte. No fim de maio, o São Paulo FC sedia a ECO FUT, primeira conferência nacional sobre clima e futebol, reunindo clubes e autoridades para debater soluções.
Apesar do interesse crescente, como destaca Ricardo Calçado, diretor do Terra FC, ainda falta conhecimento técnico e prioridade orçamentária. O futebol nacional, mais exposto do que nunca, precisa urgentemente deixar o improviso para trás e se alinhar com a realidade climática do século 21.
Fonte:ge/Redação