Enquanto o Brasil registra mais de 90 mortes diárias em acidentes de trânsito, Mato Grosso enfrenta um aumento alarmante de 77% nas fatalidades em cinco anos, evidenciando a urgência de ações efetivas

O mês de maio marca uma mobilização mundial em prol da vida no trânsito. A campanha Maio Amarelo surgiu no Brasil em 2014 como resposta ao elevado número de acidentes e mortes nas vias. Inspirada em uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu em 2011 a Década de Ação para a Segurança no Trânsito, a iniciativa ganhou força com o apoio do Observatório Nacional de Segurança Viária.
A proposta do movimento é simples e urgente: chamar atenção para o tema trânsito. Não se trata de campanha educativa pontual. É um esforço contínuo de conscientização. A cor amarela foi escolhida por simbolizar advertência e atenção. O laço amarelo virou ícone da causa.
O Brasil enfrenta uma realidade alarmante. Em 2024, mais de 6 mil pessoas morreram nas rodovias federais. Foram 73.121 acidentes, com 84.489 feridos, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. O número representa um crescimento de 10% nas mortes em relação ao ano anterior.
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a taxa de mortalidade no trânsito subiu 2,3% em um ano. Em 2023, motociclistas representaram 30% dos óbitos. Em uma década, as mortes sobre duas rodas dobraram. As estatísticas confirmam o que os hospitais já sentem: o trânsito virou problema de saúde pública.

Em Mato Grosso, a situação é ainda mais grave. De 2017 a 2022, o número de mortes cresceu 77%. Em 2022, foram registradas 907 mortes. Isso dá, em média, dois óbitos por dia. Mesmo com queda de 18% nos acidentes, a letalidade aumentou. O paradoxo expõe falhas no sistema: menos acidentes, mais mortes.
O Maio Amarelo não é só uma campanha institucional. É um grito de alerta. O trânsito brasileiro mata mais do que guerras em alguns países. E mata todos os dias. Não distingue classe, gênero ou idade. Os números pedem ação. Pedem mudança. Pedem responsabilidade coletiva.
Fonte:Redação