Reconhecimento internacional restaura status sanitário do país, mas retomada das exportações ainda depende da liberação de cada mercado importador
A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) declarou oficialmente, na última sexta-feira (20), o encerramento do caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) registrado em uma granja comercial de matrizes no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. O Brasil, que já havia comunicado a resolução do foco por meio de uma autodeclaração, agora tem o reconhecimento internacional de que o surto foi controlado.
Segundo a OMSA, o evento foi considerado encerrado no dia 18 de junho, 28 dias após a execução do abate sanitário e da desinfecção completa do estabelecimento. A decisão seguiu os critérios estabelecidos no capítulo 10.4 do Código Terrestre da própria organização.
Este foi o primeiro e único foco registrado em uma granja comercial no território brasileiro. Após a confirmação da infecção em 12 de maio, o Ministério da Agricultura determinou o abate de todas as aves da propriedade, além de instaurar barreiras sanitárias para conter a disseminação do vírus.
Com o encerramento oficial, o Brasil recupera seu status sanitário internacional, condição indispensável para manter sua posição como maior exportador mundial de carne de frango. No entanto, a retomada das exportações para mercados que impuseram restrições depende, agora, da liberação individual de cada país importador.
De acordo com o Ministério da Agricultura, ao menos 21 países suspenderam total ou parcialmente as compras de produtos avícolas brasileiros. Entre eles estão China, União Europeia, Coreia do Sul, Chile e África do Sul. Há também mercados que impuseram restrições específicas ao estado do Rio Grande do Sul e, em especial, ao município de Montenegro.
Alguns países estabeleceram suspensões com base em raio de alcance — limitando os embarques em um perímetro de até 10 km do foco. Tais medidas estão previstas nos protocolos sanitários firmados bilateralmente, e sua revogação depende da validação formal de que o Brasil está livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP).
Apesar do reconhecimento da OMSA, ainda não há prazo definido para o retorno pleno das exportações. Isso porque a autorização de reabertura comercial parte exclusivamente das autoridades sanitárias de cada país importador, e não do Brasil.
Fonte:Canal Rural/Redação