Cacau ganha força em Mato Grosso com preços em alta e incentivos à produção familiar

Município de Colniza lidera cultivo no estado e produtor estima colher até uma tonelada nesta safra; mercado aquecido e assistência técnica impulsionam expansão

Apesar de ser conhecido como potência nacional na produção de grãos, carne bovina e algodão, Mato Grosso também começa a se destacar em outra frente: o cultivo de cacau. No município de Colniza, região noroeste do estado, produtores vivem um momento de otimismo com a cultura, impulsionados pela valorização do preço da fruta e pela assistência técnica especializada.

O Sítio Corumbiara, de 50 hectares, é um exemplo desse avanço. Com aproximadamente 1,5 mil pés de cacau em produção, o produtor Gilson Rodrigues de Souza estima colher entre 800 quilos e uma tonelada na safra atual. Natural de Rondônia, ele chegou à região ainda criança, nos anos 1990, e viu a cultura do cacau, iniciada por seu pai com sementes trazidas do estado vizinho, se transformar na principal aposta da propriedade.

Atualmente, além das árvores remanescentes plantadas há quase 30 anos, Gilson também investe nos cacaueiros clonais, que oferecem maior produtividade. “Com o clonal, consigo um quilo com cerca de 20 frutos. Já com o comum, preciso de até 30. É uma diferença considerável”, explica.

Nos últimos 18 meses, o preço do cacau deu um salto expressivo: em Colniza, passou de R$ 10 para R$ 43 o quilo — e há casos, como em Juína, onde o valor chegou a R$ 65, reflexo da escassez no mercado internacional provocada por quebras de safra na África. O bom momento aqueceu o interesse pela cultura em várias propriedades da região.

O crescimento da cacauicultura também tem o respaldo técnico do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso. Gilson é atendido pelo programa há dois anos, com foco na melhoria de manejo, irrigação e adubação. A supervisora da ATeG na região, Flávia Firmini de Lima Souza, explica que o trabalho abrange seis municípios — Colniza, Cotriguaçu, Juína, Juara, Tangará da Serra e Diamantino — e que o cacau tem encontrado espaço, inclusive, em consórcio com a banana.

“Na nossa região, predominam pequenas propriedades com agricultura familiar e pecuária. Muitos pecuaristas mantêm cultivos secundários e o cacau vem se destacando dentro da fruticultura”, observa. Ela destaca ainda que em Colniza, desde 2023, 18 produtores passaram a ser acompanhados, 11 dos quais com lavouras ainda em formação.

A expansão também alcança Juína e Cotriguaçu. Em Juína, dois produtores já recebem assistência e há previsão de atingir 15 propriedades até 2026, com o cultivo consorciado de banana e cacau, que exige sombreamento inicial. Em Cotriguaçu, os trabalhos estão em fase de implantação.

A assistência oferecida pelo Senar vai além da técnica. Os produtores recebem visitas mensais de aproximadamente quatro horas, com orientações também na área de gestão, garantindo que a atividade se mantenha viável a longo prazo. “Nosso objetivo é que o produtor consiga manter a propriedade e viver com dignidade do seu trabalho”, reforça Flávia.

Com colheita prevista até o fim de agosto, Gilson segue confiante. “O cacau é hoje nossa melhor fonte de renda. É uma lavoura duradoura, com até 30 anos de produção, e mais fácil de lidar, porque precisa de sombra. O preço está bom e, com isso, mais gente está plantando. A gente quer crescer”, conclui ele, que espera concluir a construção da casa na propriedade com o lucro da atual safra.

Fonte:Canal Rural MT/Redação

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