Gabriel Galípolo defende meta de 3% como compatível com economias emergentes e cita desafios internos e externos para o controle inflacionário até 2025.

A estabilidade da meta de inflação brasileira foi reafirmada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira nesta terça-feira (29). Segundo ele, não há desconforto com a meta de 3%, com tolerância de até 4,5%.
Galípolo afirmou que o parâmetro adotado no Brasil está em linha com o praticado por outras economias emergentes. No entanto, o Boletim Focus, divulgado no dia anterior, estima inflação de 5,5% ao fim de 2025 — acima do teto da meta.
O presidente do BC destacou três fatores principais que exigem atenção da autoridade monetária: uma inflação persistente, os efeitos ainda em curso das medidas já adotadas e um ambiente global de incertezas que demanda prudência e flexibilidade.
Ele também alertou para os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que devem atingir principalmente as economias desenvolvidas em 2025. No caso de países emergentes, como o Brasil, os efeitos ainda são incertos.
Galípolo observou que, mesmo sem a esperada desvalorização cambial, as expectativas de inflação de longo prazo permanecem resistentes. “Ainda há muita incerteza para entender o saldo final. O que foi anunciado e feito terá um efeito perene na atividade econômica? E o que é passível de ser revertido em um cenário de desescalada de guerra tarifária?”, questionou.
Fonte:CNN Money/Redação